Festival de Berlim: “A Melhor Mãe do Mundo” retrata heroína invisível em busca de paz

Com direção de Anna Muylaert, o filme traz no elenco Shirley Cruz e Seu Jorge em uma história sobre pobreza, violência e amor


Cena de “A Melhor Mãe do Mundo” (Crédito: Aline Arruda)

Gal é uma típica catadora de materiais recicláveis que vive em São Paulo, como tantas outras que a gente já se acostumou a ver por toda a capital. Mesmo trabalhando o dia todo para conseguir o mínimo para se manter, e não conseguindo, ela decide pegar seus dois filhos e deixar a casa do companheiro, após mais um episódio de violência.

Esse é o ponto de partida de “A Melhor Mãe do Mundo”, que teve sua estreia mundial realizada durante a 75ª edição do Festival de Cinema de Berlim, um dos festivais mais importantes do mundo. A exibição aconteceu em 15 de fevereiro, dentro da programação da chamada Berlinale Special

A direção é de Anna Muylaert, que há 10 anos participou da Berlinale com “Que Horas Ela Volta?”, filme que venceu o Prêmio do Público.

Shirley Cruz e Anna Muylaert em sessão de fotos na Berlinale (Crédito: Arda Funda)

Nesta nova produção, Shirley Cruz interpreta de forma intensa e enérgica a protagonista, que passa a dormir nas ruas com seus filhos pequenos, vividos por Rihanna Barbosa Benin Dailher, até que uma solução apareça.

A mãe, no entanto, faz de tudo para que as crianças vejam com outros olhos os perigos e os perrengues pelos quais eles passam, para que acreditem que é apenas uma grande aventura, uma oportunidade de fazer coisas novas.

E aí vai se criando uma conexão mais íntima com o público, que observa a força descomunal dessa mulher em busca de uma normalidade que, de fato, não existe. Ela anda quilômetros e quilômetros pelas ruas da cidade, todos os dias, puxando sua carroça – com seus filhos – pelos braços, muitas vezes sem ter o que comer.

Seu Jorge interpreta um homem violento (Crédito: Aline Arruda)

Mas fugir da violência do então companheiro (interpretado por Seu Jorge) é o melhor que ela pode fazer, buscando a todo custo segurança e um pouco de paz e tranquilidade para os três. Como uma heroína invisível

Os sacrifícios emocionais e físicos de Gal durante “A Melhor Mãe do Mundo” abrem espaço para questionamentos sobre temas como violência doméstica, vulnerabilidade social, inocência, garra, falta de oportunidades e amor incondicional

O filme também conta com participações especiais de nomes como Katiuscia Canoro, Dexter e Lourenço Martinelli.

A estreia no Brasil está programada para agosto de 2025. A produção é da Biônica Filmes, com coprodução da +Galeria e do grupo Telefilms.

A protagonista puxa seus dois filhos em sua carroça (Crédito: Aline Arruda)