Festival de Berlim: “O Último Azul” transborda frescor ao falar sobre velhice

Sob a direção de Gabriel Mascaro, Denise Weinberg brilha em cena ao lado de Rodrigo Santoro, Miriam Socarrás, Rosa Malagueta e Adanilo


Equipe do filme “O Último Azul”, na Berlinale (Crédito: Laurent Hou)

O filme brasileiro “O Último Azul” teve sua estreia mundial realizada neste domingo (16) na 75ª edição do Festival de Cinema Internacional de Berlim, na Alemanha, com a presença do elenco e da equipe em uma sessão especial para mais de 1.500 pessoas

Muito aplaudido, o longa é o único representante brasileiro na competição oficial do evento e vai em busca do disputado Urso de Ouro.

Rodrigo Santoro e Denise Weinberg em cena de “O Último Azul” (Crédito: Guillermo Garza)

O filme se passa na Amazônia e já começa mostrando uma campanha intensa do governo brasileiro para celebrar a vida dos mais velhos, exaltando sua colaboração para o país e sua importância para a nação. Mas como isso é feito? Obrigando todos com 75 anos ou mais a se mudar para uma colônia habitacional, que ninguém sabe ao certo como é e como funciona. Assim, eles não atrapalham a vida e o trabalho dos mais novos.

A personagem principal é Tereza, interpretada por Denise Weinberg, que tem 77 anos e recebe um chamado oficial do governo para esse exílio forçado. Mas ela quer viver mais, quer continuar livre, ir em busca de seus sonhos, um em especial, e faz de tudo para realizá-lo, burlando a polícia e partindo em uma série de aventuras pelos rios da região. 

Diretor e elenco de “O Último Azul” após a sessão de estreia na Berlinale (Crédito: Fabiana Seragusa/Culturice)

Denise, com seu talento e sua força característica em cena, faz o público embarcar na pureza e na determinação dessa mulher, que vai criando maneiras para continuar a viver sem amarras.

Durante sua trajetória, Tereza encontra pessoas que ora a ajudam, ora não, e que acabam ficando pelo caminho como partes importantes de sua história.

Denise Weinberg (Crédito: Laurent Hou)

O personagem de Rodrigo Santoro, por exemplo, é fundamental para que Tereza perceba, em um primeiro momento, que é possível chegar, sim, ao seu objetivo, mesmo que por percursos tortuosos. É ele também, um barqueiro solitário, que coloca um pouco de magia nessa jornada, influenciando tudo o que vem a seguir.

Rodrigo Santoro (Crédito: Laurent Hou)

Também aparece um cena Adanilo, um rapaz que realiza sobrevoos para turistas na região amazônica. Sem muita procura, e mergulhado no vício em álcool e nos jogos, ele se conecta com Tereza em um momento de desesperança.

Adanilo (Crédito: Laurent Hou)

Já Miriam Socarrás, que, no filme, ganha a vida vendendo Bíblias digitais em seu barco, leva a trama para um outro caminho, cruzando com a personagem principal em um período de fuga e reflexão.

Miriam Socarrás (Crédito: Laurent Hou)

Isso sem falar de Rosa Malagueta, que interpreta a amiga de Tereza e tenta incentivá-la a ir contente à tal colônia, já que lá vai dar para descansar e viver feliz pelo resto da vida – lugar para onde ela também irá em breve.

Rosa Malagueta (Crédito: Laurent Hou)

O diretor, Gabriel Mascaro, conseguiu abordar o tema da velhice com imenso frescor, colocando a simplicidade, a persistência e a busca por um sonho em primeiro plano. Sem deixar de lado a hipocrisia de uma sociedade e de seu governo, que vendem a ideia de que a colônia habitacional, nesse caso, é um presente, sinônimo de vida, quando a intenção, na verdade, é simplesmente afastar essas pessoas da comunidade.

Diretor de filmes como “Boi Neon”, “Divino Amor” e “Ventos de Agosto”, Mascaro já esteve na Berlinale em 2019, quando “Divino Amor” foi exibido na Mostra Panorama.

Gabriel Mascaro (Crédito: Guillermo Garza)

 
“O Último Azul” é o primeiro filme brasileiro a competir pelo Urso de Ouro desde 2020. Anteriormente, o Brasil venceu o prêmio com “Central do Brasil”(1998), de Walter Salles, que também recebeu o Urso de Ouro de Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro, e “Tropa de Elite” (2008), de José Padilha.
 
Com produção da Desvia (Brasil) e Cinevinay (México), em coprodução com a Globo Filmes (Brasil), Quijote Films (Chile), Viking Film (Países Baixos), e distribuição da Vitrine Filmes no Brasil, “O Último Azul” foi produzido por Rachel Daisy Ellis (“Boi Neon”, “Rojo”) e Sandino Saravia Vinay, produtor associado de “Roma”, de Alfonso Cuarón, e coprodutor dos filmes anteriores de Gabriel Mascaro.

Denise Weinberg em cena de “O Último Azul”(Crédito: Guillermo Garza)